1.ª Edição do HELL 160: O Calor Extremo Trava a Resistência no Alentejo Profundo
A-do-Pinto, Serpa, 3/7/2026 – foi o epicentro de uma autêntica prova de fogo. Sob temperaturas extremas que alcançaram os 45°C, a organização e a Proteção Civil viram-se forçadas a cancelar o evento ao final da tarde de sábado para salvaguardar a saúde dos atletas.
Uma Prova com “H” de Inferno
Prometia ser uma grande homenagem à mui nobre gente que resiste no Alentejo profundo, mas a meteorologia transformou o HELL 160 – Shadows and Dust num desafio literal. Com o termómetro a atingir a impressionante marca dos 45°C no pico do dia, as condições tornaram-se impraticáveis para a corrida de ultraresistência.
O nosso atleta Luis Isidoro esteve presente na linha de partida dos 160 km na noite de sexta-feira. Demonstrou uma enorme resiliência ao cobrir 77,08 km de prova, com um desnível positivo acumulado que já ultrapassava os 1.060 metros, registando uma média de 9:06/km ao longo de quase 12 horas de esforço consecutivo.
Contudo, perante o calor sufocante e após começar a sentir os primeiros sintomas alarmantes de fraqueza e tonturas, o bom senso prevaleceu. Num ato de enorme maturidade desportiva — e sabendo que ainda restavam muitos quilómetros exigentes pela frente —, Luis Isidoro decidiu que o mais avisado era não arriscar a sua integridade física e optou por abandonar aos 75 km anotados pela organização. Uma decisão acertada num dia em que a lista de desistências não parou de crescer.
Proteção Civil e Organização Cancelam o Evento
À medida que as horas passavam, o cenário ao longo dos abastecimentos agravava-se, com inúmeros atletas a cederem perante a desidratação e o esgotamento térmico. Face à gravidade da situação, a organização e a Proteção Civil tomaram a inevitável decisão de cancelar a prova às 19h00 de sábado, quando decorriam 21 horas desde a partida dos 160 km.
O Potencial Oculto e a Alma Alentejana
Se o clima e a logística deixaram duras lições, a alma do evento provou que o HELL 160 tem um potencial para o futuro. A organização assumiu o risco de desenhar um traçado imponente pela GR15 e pelas margens do Guadiana, conseguindo unir toda a comunidade local numa simbiose fantástica. Juntas de freguesia, escuteiros, o moto-clube local, a GNR e a própria população idosa envolveram-se a 100% para apoiar os participantes.
O balanço final é de superação. Os nossos parabéns ao Luis Isidoro pela excelente prestação e pela inteligência na gestão do esforço. O “bichinho” ficou lá e, tal como o nosso atleta já confidenciou, o objetivo é regressar no próximo ano para conquistar o Muro dos Lendários — de preferência, com o termómetro a dar tréguas!
Votos de uma excelente e rápida recuperação a todos os resistentes!


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