Cordeiro, Melo, Pinto e Carinhas à partida do UTSF 2013.
Cordeiro, Melo, Pinto e Carinhas à partida do UTSF 2013.

Apenas o repetente Hélder Melo esteve ao seu nível na sua serra da Freita. Concluiu um dos mais dizimadores ultra trails nacionais em 13 h 17 m 34 s, 40º entre os 153 super resistentes – ao cansaço, ao calor, aos trilhos muito técnicos e perigosos – concorrentes que conseguiram terminar. O melhor lobo foi o consagrado Vítor Cordeiro mas o 15º lugar que alcançou não espelha o real valor desportivo do atleta, apenas testemunha o seu desportivismo de terminar mesmo que arredado dos lugares cimeiros que são os seus. 44% dos atletas que alinharam à partida tiveram que abandonar e entre eles encontram-se os outros dois lobos presentes, estreantes na distância e na prova, Luís Pinto e Sérgio Carinhas, que fizeram ainda assim os primeiros 48 Km dos 66 Km do evento recolhendo aprendizagem para futuros desafios.

Resultados do 8º Ultra Trail Serra da Freita

1º Luís Mota (CA Ferreira do Zêzere) 9 h 41 m 04 s

15º Vítor Cordeiro (AC Portalegre / UTSM) 11 h 54 m 38 s – 7º M40

40º Hélder Melo (AC Portalegre / UTSM 13 h 17 m 34 s

153º Luís Pires (PortoRunners) 19 h 55 m 33 s

DNF – Luís Pinto (AC Portalegre / UTSM)

DNF – Sérgio Carinhas (AC Portalegre / UTSM)

Sobre o evento os nossos atletas tornaram públicas as seguintes opiniões:

Hélder Melo: http://connect.garmin.com/activity/335551154

“Aqui o registo técnico… Já esperava algo mais difícil que o ano passado, mas se calhar não tanto… A “Besta” e aqueles 10km de sobe e desce entre Manhouce e a Lomba complicaram muito a vida aos atletas… Mesmo com 20km de prova diferentes que o ano passado fui comparando os tempos de passagem nos abastecimentos… Fui sempre mais rápido que no ano passado, tanto que cheguei a Manhouce (mesmo com a Besta pelo meio) com 1h10 de avanço sobre o tempo do ano passado… O que é certo é que até à Lomba essa vantagem esfumou-se e cheguei lá praticamente com o mesmo tempo do ano passado… Este troço de Manhouce à Lomba foi onde sofri mais e custou-me mais que a “Besta”! De resto, consegui gerir muito bem a prova a nível de alimentação e hidratação e penso que foi isso que fez a diferença, porque fui ultrapassando atletas que eu nunca costumo ver durante as provas, o que na altura até me fez confusão… Chegar ao fim foi uma satisfação enorme! Nem queria acreditar… Tantos quilómetros que eu andei só a pensar na meta… Depois do banho, da massagem e da refeição, ainda não tinha caído em mim e custava-me a acreditar que já ali estava! Agora vou desfrutar do empeno e começar a pensar na próxima!”

Luís Pinto:

“Sendo o objetivo principal o terminar o Ultra-Trail Serra da Freita, esse objetivo falhou. Com características muito próprias e uma tecnicidade em alto grau, nunca me consegui adaptar à prova. Sabia ao que ia mas nunca consegui tirar prazer das provas onde correr (por pouco que fosse) era uma miragem (Defeitos de um trailer que gosta de percursos mais equilibrados). Aliás, para que a prova fosse apelidada de “muito dura” (como foi) não seria necessário incluir trilhos tão exigentes como eram alguns deles. Gostei da simpatia e da disponibilidade do pessoal da organização mas não posso deixar de criticar a ausência da presença dos mesmos (ou de bombeiros) em sítios considerados muito perigosos. Assisti pela primeira vez numa prova de trail a situações de alucinação, choro e desespero o que também terá contribuído (a par das dores que tinha nos joelhos e nos pés) para a minha paragem no abastecimento do km 48. Admiro e congratulo os trailers que gostaram e que terminaram esta prova mítica. Esses são verdadeiramente duros. Quanto a mim, tendo em conta o que já referi acima resta-me a satisfação de ter feito quase 50kms. Se me perguntarem se volto para o ano? Respondo assim: “Gostei da paisagem que a serra me proporcionou durante 12h”. Que venha o próximo desafio!!”

Sérgio Carinhas:

“Serra da Freita… A Besta!…
Para mediano corredor de trail, para quem nunca tinha feito esta prova, para cuja distância máxima haviam sido os 50k de Sesimbra, e para quem nunca havia desistido de uma prova de trail… custou-me! estava preparado para os 70 km’s, para o calor, mas não para a “Besta” do desconhecido! Nunca desanimei, nem me senti mal (como muitos), mas aos 50k achei melhor parar, pois as pernas já não davam! Mas ao contrário de outros, vou voltar… para acabar… e mostrar a mim mesmo e a quem acredita em mim, que sou capaz! E não voltarei sozinho… Um Grande abraço a todos os que me apoiaram, especialmente ao Pedro Figueira que me gizou o plano para esta prova, ao JC, eterno treinador, amigo e conselheiro, ao Luis Pinto que partilhou todos os treinos comigo e a todos os que me acompanharam à Freita!”

 

 

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